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sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Vítimas da aparência

Eu estou falando a verdade, eu não os conhecia. Eu só ia lá comprava as coisas e saia.
Daí você acha que eu não sabia o que estava fazendo? Claro que sabia, mas eu queria esquecer.
Sabe, antes do meu pai se trancar no quarto com minha mãe, ele aumentava o som da Tv, mas era inevitável não ouvir os gritos dela e os tapas dele. Cara, eu cresci ouvindo, sentindo a dor, o sofrimento. E quando eu olhava para Tv, quando tentava me concentrar, esquecer aquele som de amargura, eu via a injustiça assim, na minha frente. Aquele gente de novela, com carros e casas bonitas. Era aquilo que eu queria, então sai de casa. Na rua eu aprendi muita coisa, a me aquecer com o frio, a beber comida, apanhar e não chorar. Tipo assim, eu sou o que eu vi, e é claro que não podia ser diferente. Tudo me induzia ao erro,talvez. Então eu comecei a beber, a comer, a me aquecer, ESQUECER com o crack. Os caras que me vendiam nunca falavam o nome, apenas me vendiam, o que eu já achava demais. Isso não aconteceu assim de uma hora para outra, eu PEDI comida primeiro, alimento de verdade, poucos me deram. Pedi agasalho e NINGUÉM me ofereceu jornal. Então cansado, quase morto, fui à isso, fui alcançar um sonho que era sair desse mundo. Sem histórias antes de dormir e sim drogas, muitas drogas.
Bem, aqui estou eu contando para vocês policiais, donos da verdade, da justiça, da lealdade, a minha infame vida. Pode me chamar de maconheiro, moquele, mas não de assassino. Já disse e REPITO, esses caras que mataram o cara lá do mercadinho eu não os conheço. O cara do mercado bem que merecia. Certa vez nos expulsou, ou melhor chamou a polícia nos acusando de estar bolando um plano para assaltá-lo, sendo que apenas ficávamos ali para pedir esmolas. Vai ver, foi isso, os manos pegaram ar. Podem me levar, para vocês vou sempre está mentindo. Ao menos terei abrigo e comida todos os dias. Cadeia... ser preso.. é até engraçado! Sempre estive preso, nunca apareci de verdade para ninguém, não me deixam aparecer, eu sou um assassino, vejam só ?! Minha cadeia é a vida senhor policial, e estou preso a violência. Desacreditado, na realidade m e encontro, o efeito do crack passou e agora agora estou de volta a mesma droga de sempre. Levem o drogado!

" E ele foi levado pela justiça que acabara de cometer uma injustiça. Pois é, nossa sociedade, uma escola de ladrões."

Por Carol Oliveira.

6 comentários:

Unknown disse...

texto forte...soube usar as palavras certas para escrever o texto...muito bom...

Rodrigo de Assis Passos disse...

LINDO TEXTO, PARABÉNS!

Lari disse...

Fico fascinada com a maneira que você consegue organizar as palavras. Parece que sempre escolhe as mais adequadas. Muito expressivo esse texto, adorei carol!

beijão

Lari disse...

Fico fascinada com a maneira que você consegue organizar as palavras. Parece que sempre escolhe as mais adequadas. Muito expressivo esse texto, adorei carol!

beijão

Arthur_Coutinho disse...

que otimo texto! bela forma de expressar!

vc escreve muito bem! Parabens!

; )

beeijo

Anônimo disse...

Amei Carol's !!!! Continue assim.. e posta um de comédiaa?? G.G kkk'

By: Victor, barriga de tanquinhoo..